A Fiat e Peugeot darão origem à quarta maior montadora de veículos do mundo. Unidas, empresas teriam valor de mercado estimado em US$ 50 bilhões e 8,7 milhões de veículos vendidos por ano.

Inevitavelmente, o setor de negócios está sempre evoluindo, crescendo e se transformando. E ao que tudo indica, no mundo das montadoras, haverá mais uma grande e intensa transformação nos negócios.

Digamos que, empresas concorrentes nem sempre são rivais durante toda a sua existência. Em busca de vantagens para ambas, pode acontecer um processo de fusão, que sobrevém mediante um acordo firmado entre as partes. Embora seja simples na teoria, a fusão pode ser bastante complexa na prática, dependendo do tipo das empresas envolvidas no processo, e de seu tamanho. Ainda assim, as fusões continuam a ocorrer no mercado brasileiro e internacional, devido às suas vantagens. De modo simplificado, a fusão de empresas significa uma completa transformação para todas as envolvidas no processo.

Geralmente realizado entre duas organizações ou sociedades distintas, esse processo faz com que as participantes de uma fusão se juntem e formem uma única empresa. Isso significa que, se a empresa A e a empresa B passam por um processo de fusão, elas vão resultar na empresa C, que é uma terceira componente diferente das outras duas. E é exatamente isso que está acontecendo com a Fiat Chrysler e o grupo francês PSA, dono da Peugeot. O anúncio ocorreu menos de cinco meses depois que a FCA desistiu de negociações para uma fusão com a Renault.

Acordado “por unanimidade” nesta quinta-feira (31), entre as empresas ítalo-americana Fiat Chrysler Automobiles e o grupo francês PSA, uma “fusão das atividades dos dois grupos” para criar uma nova entidade com sede na Holanda. Em comunicado conjunto, as duas empresas informaram que “planejam unificar forças para criar um líder mundial em uma nova era de mobilidade sustentável”. Segundo o acordo, os acionistas da FCA e da Peugeot irão controlar 50% do novo grupo.

Mesmo com a negociação já autorizada pelos conselhos de administração dos dois grupos, ainda chegarão a um memorando de entendimento nas próximas semanas para dar sequência à fusão. O conselho de administração será composto por 11 membros, nomeados pela Fiat Chrysler e pelo PSA, também conhecido como PSA Peugeot Citroën. A fusão entre os dois grupos de montadoras será feita sem o fechamento de fábricas, garantiram as duas sociedades em sua nota conjunta.

Os principais acionistas da PSA são o Dongfeng Motor Group, da China, a família Peugeot e o banco de investimentos Bpifrance. A FCA, com as marcas Jeep, Ram, Dodge, Alfa Romeo e Maserati, é controlada pela família Agnelli, fundadora da Fiat e que concluiu sua fusão com a Chrysler em 2014.

O novo grupo será presidido pelo ítalo-americano John Elkann, atual chefe da Fiat Chrysler, e o cargo de executivo-chefe seria dado ao presidente do grupo PSA, o empresário português Carlos Tavares. “Essa convergência traz valor significativo para todas as partes envolvidas e abre um futuro brilhante para a entidade combinada”, afirmou Tavares em comunicado conjunto das companhias. As empresas também afirmaram em comunicado que, “a companhia resultante da fusão se beneficiaria das margens entre os mais altos mercados onde estaria presente, baseadas na solidez da Fiat Chrysler na América do Norte e na América Latina, além da PSA na Europa”.

Uma pequena pausa para conhecermos John Elkann…

John Elkann, atual chefe da Fiat Chrysler. (Foto divulgação/VEJA)

Trineto do fundador da Fiat e neto de Gianni Agnelli, responsável pela recuperação da companhia após a Segunda Guerra Mundial, John Philip Jacob Elkann, de 43 anos, preside o conselho da holding que controla os negócios da família, desde empresas de automóveis, como Fiat Chrysler e Ferrari, até sociedades de mídia, como The Economist, e a equipe de futebol italiana Juventus. Nascido em Nova York, o herdeiro foi escolhido pelo avô para comandar os negócios e, em 1997, então com 21 anos, assumiu seu primeiro cargo na diretoria da Fiat.

Novas tecnologias e mercado em baixa

Com a fusão, a FCA terá acesso a plataformas mais modernas de veículos da PSA, ajudando o grupo a cumprir normas mais rígidas contra emissão de poluentes, enquanto a PSA, concentrada na Europa, vai se beneficiar dos negócios lucrativos da FCA nos Estados Unidos e em grandes mercados como Brasil. As duas montadoras, que possuem fábricas de veículos também no Brasil, têm como objetivo economia de 4,1 bilhões de dólares, dos quais 80% estimam alcançar nos primeiros quatro anos do acordo.

Há muito que a FCA procura mais parceiros para dividir investimentos dispendiosos em novas tecnologias, algo absolutamente necessário numa indústria que rapidamente evolui em direção a veículos híbridos e elétricos – (mesmo em um período de desaceleração global na venda de automóveis).

Governo francês apoia negociação

O projeto parece ter o apoio da França, proprietária de 12% das ações da PSA, já que o Estado europeu reagiu de forma favorável à ideia, de acordo com o ministro da Economia do país, Bruno le Maire. O governo afirmou que seguirá “especialmente atento” para que se mantenham os postos de trabalho industriais da França.

Além de Fiat, Chrysler, Peugeot e Citroën, a nova companhia inclui marcas como Alfa Romeo, Dodge, Jeep, Lancia, Ram e Maserati, da FCA, e DS, Opel e Vauxhall, do Grupo PSA.

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